sábado, 6 de maio de 2017

Diário de Viagem: Île-de-France, dia 2 - Château de Champs-Sur-Marne

no jardim do Château-de-Champs-sur-Marne

No dia seguinte, viajámos 18 km para Este de Paris para visitar o Château-de-Champs-sur-Marne. Apanhámos o comboio na Gare de Lyon,  linha A, até à estação de Noisiel.  Demorámos cerca de 20 minutos.  É possível apanhar o autocarro 220 da estação até à mansão,  mas nós fomos a pé. 


Esta é uma zona mais calma e residencial, onde é possível encontrar lojas e restaurantes de comida africana e do Médio Oriente.  Antes da visita almoçámos no Café des Sports,  no centro de Champs -sur-Marne.  Comemos uma salada niçoise e uma quiche lorraine. 
Estava um dia excepcionalmente quente.


Esta mansão distinguiu-se no séc XVIII por apresentar várias inovações arquitectónicas:
- o aparecimento da sala de jantar ;
- os quartos deixaram de comunicar uns com os outros através de portas e passaram a ter subdivisões destinadas à muda de roupa e banho. 


Na decoração do séc XVIII destacam-se as boiseries,  que são trabalhos em madeira nas paredes e sobre as portas, com motivos vegetalistas e figuras mitológicas. 
A divisão mais importante é a sala chinesa,  com chinoiserie a decorar as portas e a parede. No entanto,  as cenas pintadas representam um Oriente imaginado pelo autor, que nunca esteve lá.


Depois de visitar a mansão,  fomos para o jardim. É um jardim de estilo francês do séc XVIII,  com terraços, bosquetes e fontes.









 Contornando as margens da Bacie de Loisir, regressámos à mansão.  


Terminámos a caminhada junto à fonte de Scylla.


Já em Monparnasse,  passeámos pela Boulevard homónima até ao restaurante Closerie des Lilas.



Escolhemos os seguintes pratos:


Filet de boeuf  "Hemingway" au poivre noir, flambé au bourbon, pommes Pont-Neuf


Agneau du pays d´Occitanie à la sarriette et moutarde de Meaux, feilles déndive à l'orange


O primeiro era muito bom. Um cremoso molho de intenso sabor a pimenta envolvia um bife suculento. O segundo ficou muito aquém das expectativas, mas acabou por ser compensado pela tábua de sobremesas (leite creme,  salada de frutas, gelado de groselha e vários bolinhos).


Terminámos com um passeio pela Boulevard de Port-Royal.



quinta-feira, 20 de abril de 2017

Diário de Viagem: Île-de-France, dia 1 - fim de tarde em La Villete e jantar em Montparnasse


Chegámos a Paris num sábado ensolarado, ao início da tarde. No aeroporto comprámos baguetes para almoçar: uma de salmão e courgette e outra de frango e ovo.

baguette de courgette e salmão

Não foi fácil encontrar a estação de comboio da RER. À porta do aeroporto só encontrámos a praça de táxis. Por fim,  uma indicação levou-nos à estação de Charles de Gaulle. Uma viagem de comboio de 50 minutos, et voilà,  bonsoir Paris ☺!
Atravessando a azáfama da multidão,  encontrámos o nosso hotel à beira de um canal do Sena. 
Nesta tarde de calor, grupos de jovens sentavam-se à beira da água, enquanto outros se entretiam com jogos tradicionais,  como a malha.

La Villete


Pela janela do nosso quarto víamos os barcos no seu vai vem pelo canal. 
Voltámos a sair por volta das 20h para jantar em Monparnasse. Tínhamos escolhido ir a três restaurantes indicados no guia verde: La Coupoule,  Le Dôme e o Closerie des Lilas. Optámos pelo La Coupoule, em tempos frequentado por artistas e escritores célebres como Picasso, Chirico, Man Ray ou Simone de Beauvoir.


Em torno de uma cúpula de fundo azul,  pilastras decoradas por pintores dos anos trinta completam um dos ex-libris da art deco parisiense.


Por nós passavam pratos recheados de frutos do mar, o prato principal deste restaurante, e talvez o mais pedido. Nós escolhemos um menu que englobava entrada, prato principal e sobremesa.

espargos com ovos

creme de lentilhas com bacon e queijo

medalhões de carne de ave e vegetais

tarte de laranja

 tarte de chocolate e maracujá

Saímos do restaurante já perto da meia noite e caminhámos pela Boulevard du Montparnasse até ao metro.



Ao fundo,  a Tour de Montparnasse fazia jogos de luz azul sobre as nossas cabeças.







quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Segundo encontro com Lisboa: dia 8

 


Neste último dia em Lisboa,  aproveitámos para visitar a Casa dos Bicos.
Esta casa foi construída, no séc. XVI, pelo filho do primeiro vice-rei da Índia, Brás de Albuquerque. 
Lendo um dos painéis informativos, ficámos a saber que «uma malha reticulada de "pontas de diamante", inspirada em modelos renascentistas italianos, revestia a fachada sul, conferindo singularidade ao edifício». É a estas "pontas de diamante" que se deve o nome "Casa dos Bicos", cuja fachada foi inspirada no Palácio dos Diamantes, um palácio renascentista italiano.
A casa alberga o Núcleo Arqueológico da Casa dos Bicos e a Fundação José Saramago.
No rés-do-chão podemos ver os vestígios arqueológicos encontrados durante as escavações realizadas no local.
Quando a casa foi construída no séc XVI, englobou um pano de muralha e dois torreões  que existiram desde a época romana tardia até à idade média.



São ainda visíveis quatro tanques de cetária, utilizados para salga de peixe, pertencentes a uma unidade fabril, que existiu no séc. I d.C. junto a uma praia fluvial.


Os andares superiores são dedicados à Fundação José Saramago. Existe uma exposição permanente com todos os livros escritos e traduzidos pelo autor, registos áudio e vídeo de entrevistas e outros eventos,  como o prémio Nobel que recebeu,  entrevistas dadas a jornais e ainda vários documentários, entre eles José e Pilar.




É uma exposição em que predomina a exibição dos livros escritos e traduzidos por José Saramago, dando pouco relevo à sua biografia e ao circunstancialismo em que decorreu a criação da obra literária.

reprodução do escritório de José de Saramago




vídeo:
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Segundo Encontro com Lisboa: dia 7


primeiro nascer do sol de 2017


Ao contrário dos dias anteriores,  fixou-se uma névoa sobre a cidade que escondeu o azul do céu que nos tinha acompanhado até aqui.  Começámos o passeio de hoje com uma subida do Largo de São Vicente de Fora até ao Largo da Graça.  A meio não passou despercebida a monumentalidade do edifício que alberga a Fundação Voz do Operário, que surgiu  no início do séc XX como uma corporação de operários. Hoje é uma associação que dinamiza actividades educativas, culturais e desportivas.



Já no Largo da Graça,  contemplámos a esplêndida vista sobre o Castelo e a Mouraria e visitámos a Igreja que se encontrava aberta.




O interior é bastante acolhedor,  predominando os tons rosa.


Esta zona é, desde o final do século XIX, ocupada por bairros operários construídos pelos donos das fábricas. Cada um tem a sua individualidade própria e características arquitectónicas distintas. Começámos pela Villa Sousa,  situada no Largo da Graça,  concluída em 1890,  apresenta uma arquitectura austera. Um portão de ferro forjado dá acesso a um pátio central. A cobertura faz lembrar as edificações do norte da Europa.


Já a Villa Bertha,  situada na Rua do Sol à Graça,  e concluída em 1910, apresenta painéis de azulejos floridos,  e jardins fronteiros às habitações.  Num mural encontrámos a letra da marcha da Villa Bertha.


Por fim,  mais a norte,  no bairro Estrela de Ouro,  as habitações e os pavimentos são decorados com estrelas.


Em todos estes bairros vive-se um ambiente muito calmo, onde toda a gente se conhece e os viajantes não passam despercebidos.
Subimos ao miradouro da Senhora do Monte, onde se reunia uma pequena multidão a contemplar a cidade neste primeiro dia do ano.



Seguiu-se uma paragem na Rua da Graça, na pastelaria "CiCi" . Pedimos chá e uma azevia de batata doce.


Prosseguindo pela Rua de S. Gens, atravessámos um arco com uma curiosa pintura mural de Mariana Dias Coutinho, e virámos à direita onde encontrámos outro mural seu dedicado a poetisas portuguesas: Florbela Espanca,  Natália Correia,  Sophia de Mello Breyner.



Mais à frente descobrimos uma panorâmica inesperada sobre o Castelo de S. Jorge e o Martim Moniz,



e iniciámos a descida rumo a este último,  primeiro pela Calçada do Monte e depois através de um emaranhado de vielas e escadarias que dão corpo à Mouraria.



O lugar ainda mantém a multiculturalidade que esteve na sua origem, sendo polvilhado por lojas orientais, como restaurantes, talhos e mercearias indianos. Também é fácil tropeçar na entrada de uma mesquita ocupando o rés do chão de um prédio.
Descobrimos também que aqui ainda sobrevivem casas de ressalto, habitações cujo primeiro andar tem um alçado proeminente em relação ao do rés do chão.


Desaguámos no Largo do Martim Moniz,  onde terminámos o passeio.




vídeo: