segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

de Magerit a Almudena, um percurso pela história da capital



Madrid é uma cidade cosmopolita,  mas no seu centro histórico ainda é possível encontrar praças tranquilas, bairros pitorescos e inúmeros tesouros artísticos. A cidade foi fundada com a denominação Magerit como posto militar avançado por Muhammad ben Abd al Rahman, rei mouro 👳, mas cedo foi conquistada pelos cristãos.



Ainda é possível visitar vestígios da cerca moura junto à entrada da cripta da Catedral de Almudena, da antiga Mesquita na Igreja de San Nicolás e da Alcazaba no Campo do Mouro. Passeámos neste último espaço com caminhos serpenteantes e alguma floresta 🌳,  de onde apreciámos uma das melhores vistas sobre o Palácio Real.


Na direcção do Rio Manzanares,  descobrimos um parque urbano muito recente,  que deixou à vista vestígios do antigo porto fluvial.  Tirámos várias fotos na ponte de Segóvia. 


Madrid permaneceu uma modesta vila castelhana até ao século XVI,  altura em que,  no ano de 1561, o Rei Filipe II a elegeu como capital do emergente reino de Leão e Castela.  
Nos séculos XVII e XVIII floresceram mosteiros religiosos pela cidade. Visitámos o Mosteiro das Descalças Reais e da Encarnação.  O primeiro é mais interessante para quem gosta de arte 🎨,  porque está implantado num palácio renascentista e possui bonitos frescos nas paredes e tapeçarias flamengas.  


O segundo mosteiro é mais castiço, está decorado com azulejos de Talavera e guarda,  como relíquia, um pedaço de sangue seco de S.Pantaleão,  o qual se liquidifica no dia 27 de Julho,  fenómeno que até tem direito a transmissão televisiva. 


Mas quem quer apreciar os artistas que fizeram de Madrid a sua casa,  terá de visitar a Real Academia de São Fernando,  na Calle de Alcalá. 

Venus, Mercurio y el Amor, Louis-Michel Van Loo

Esta escola de arte,  da qual Goya foi presidente durante vários anos,  expõe trabalhos de alunos e presidentes famosos,  como Velasquez,  Zurbarán,  Ticiano,  Alonso El Cano, etc. Existe também uma secção de arquitectura e design,  e uma boa mostra de escultura romana.


Mas quem não gosta de espaços fechados,  pode simplesmente percorrer a Gran Vía 🏫, um inesperado museu de arquitectura moderna a céu aberto, que se estende da Plaza de España até ao entroncamento com a rua de Alcalá. É também muito interessante estender o passeio até às portas de Alcalá. 




Virando costas à Girafa, a Gran Vía é ladeada por numerosos teatros com musicais. Do Callao até à Red de San Luis  encontramos as principais marcas da moda👜👚 e a melhor livraria📗 em Madrid.  Mais à frente, do edifício da Telefonica, o primeiro arranha-céus de Madrid, até às Portas de Alcalá,  encontram-se uma série de edifícios Arte Nova,  com cariátides,  varandas de ferro forjado,  colunas nos pisos superiores e estátuas douradas ou de bronze,  que evocam arquitectura medieval aragonesa e catalã🏰.



Para finalizar,  visitámos o ícone arquitectónico mais recente da cidade,  a Catedral de Almudena,  concluída apenas em 1993.  Apesar das sucessivas missas, pudemos admirar os bonitos frescos da cobertura do tecto e uma imagem da Senhora de La Almudena do séc XVI. ⛪







Na cripta também é muito interessante deambular entre centenas de colunas, todas com diferentes capitéis esculpidos e onde descobrimos um com o símbolo de Madrid: o urso erguendo-se sobre um medronheiro.




Como sugestões gastronómicas recomendamos um passeio pela Cava Baja, uma rua repleta de tabernas e onde no n.º 35 se situa a Casa Lucio. Um outro espaço muito tradicional é a Casa Patas,  onde é possível assistir a espectáculos de flamenco e degustar tapas, pratos típicos e o óptimo vinho da casa.


Aqui provámos pela primeira vez o prato rabo de toro. 🐮Estavamos um pouco apreensivos,  mas no final adorámos,  pois a carne estava suculenta e tenrinha.



Um dos pratos mais conhecidos na cidade é o cozido madrileno, que se pode saborear no selecto Lhardy.


Quem quiser experimentar esta especialidade deverá reservar previamente,  pois frequentemente o restaurante está cheio.  Este espaço tem também uma pastelaria associada,  onde podem comprar doces típicos da cidade.




Quem desejar experimentar um prato diferente,  pode encontrar na Costanilla de San Andrés o restaurante Tio Timón, no lugar da antiga Tasca Bilbao, onde comemos bacalao a la Vizcaína e almondegas com batatas.




No entanto, o restaurante Fun Falafel,  na Calle Jacometrezo, junto ao Callao, permite uma viagem ao médio Oriente,  acompanhada por um doce chá de menta.🍵


hummus con carne

nosakhan de pollo

Kanafeh 

backlawa

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Madrid, dia 4 - do Palacio Real à Plaza de España

 cansados, mas felizes na Plaza de España, onde terminámos esta viagem

Depois de uma longa viagem de metro pela linha 10, assumámos à superfície,  na Estação Ópera.
Havia muita gente na Praça Isabel II, onde vimos o vulto da rainha a pairar no ar :-)
Subimos a Calle de la Independencia, até à Calle Mayor. Aqui descobrimos uma placa que assinalava a casa onde viveu e morreu o dramaturgo e poeta espanhol Pedro Calderón de La Barca.



Ao fundo da rua deparámo-nos com o grandioso volume da catedral de Almudena,  com inúmeras pessoas a subir e a descer as escadas. Apesar de ser a principal catedral de Madrid,  não se fazia sentir um ambiente de religiosidade.


Mais à frente,  o Palácio Real erguia-se com uma notável monumentalidade. A fila para a bilheteira, com algumas dezenas de metros,  relembrou-nos que estávamos em Madrid.



De passinho em passinho, comprámos o nosso bilhete e o audioguia e iniciámos a visita pela Real Armaria, onde se exibiam armaduras e armas de Carlos V e Filipe II. 
No andar superior encontram-se armas e armaduras oferecidas por embaixadores e chefes de estado estrangeiros,  aquando de visitas oficiais. Saímos pelo miradouro sobre o Campo do Mouro e almoçámos na Cafetaria Mediterrânea. 

 escalopes de cerdo a la pimienta

 atún con cebolla caramelizada


 tarta de queso



Iniciámos a visita pelas Salas Oficiais. Tinham uma decoração muito variada. Os tectos eram pintados quase sempre com cenas alegóricas, enaltecendo a monarquia espanhola. As salas de que mais gostámos foram a da porcelana, as de Gasparini,  com chinoiserie em porcelana a cobrir o tecto, sem esquecer o saguão e por fim a sala do trono.


estátua do Rei Carlos III


escadaria principal


abóbada da escadaria principal com um fresco de Corrado Giaquinto intitulado O Triunfo da Religião e da Igreja

    outros dois frescos de Corrado Giaquinto na abóboda da escadaria principal: Camón, sobre Hércules arrancando las columnas e Cosmografía

Depois da visita,  demos um passeio pelos jardins de Sabatini,  construídos há cerca de 50 anos, no local onde se encontravam as cavalariças reais.
É um espaço onde as pessoas se encontram, com fontes, buxos e um lago rectangular ao centro. 




Saímos para a Praça de Espanha, também arborizada,  mas rodeada de edifícios grandiosos,  como a torre de Madrid, conhecida como La Girafa,  e o edifício de Espanha. 
No centro da Praça, um obelisco de pedra alberga as estátuas de Cervantes e dos seus D. Quixote e Sancho Pança, sem esquecer Dulcineia.



Houve tempo ainda para percorrer a feira de multiculturalidade,  cujo país convidado era Marrocos, que não passava despercebido devido às várias essências que se misturavam no ar.



Terminámos aqui a nossa viagem, levando na memória as agradáveis praças, a multidão e a deliciosa comida de Madrid :-)


vídeo: