terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lisboa: do Cristo Rei ao Marquês de Pombal para (re)descobrir a Baixa


a Baixa Pombalina  vista do topo do Arco da Rua Augusta



Após o terramoto de 1755 o Marquês de Pombal mandou edificar a zona conhecida como Baixa de Lisboa. 
Na construção das casas foram utilizadas técnicas e estruturas antissísmicas e de prevenção de incêndios, tornando-se num dos primeiros  exemplos deste tipo de construção a nível mundial.
Outro aspecto que distingue esta zona de Lisboa é o facto de as ruas serem rectas e perpendiculares, respeitando uma determinada hierarquia e medida, sendo a Rua Augusta o eixo central.
Também foi na Baixa que se instalou a primeira rede de saneamento público do país.

Começámos esta visita no Cristo Rei, em Almada, de onde se tem uma esplêndida vista sobre o rio Tejo e Lisboa. Depois apanhámos um cacilheiro para o  Cais do Sodré. Caminhámos até ao Terreiro de Paço e foi no Cais das Colunas que  iniciámos o nosso percurso. No fim prolongámos a visita para além da Baixa, percorrendo a Avª da Liberdade, para terminar na Praça Marquês de Pombal, onde se encontra a estátua de Sebastião José de Carvalho e Melo,  responsável pela reconstrução da cidade.



Cristo Rei em Almada
Rio Tejo e Lisboa. Vista do miradouro do Cristo Rei



1. CAIS DAS COLUNAS

Fazendo parte do projecto da Praça do Comércio, foi construído no séc. XVIII, após o terramoto de 1755. O seu nome deve-se às duas colunas que ladeiam a escadaria que dá acesso ao rio. Durante muito tempo foi a porta da cidade, para quem chegava de barco. Actualmente é um local de encontro e lazer.



2. TERREIRO DO PAÇO 

Aqui situou-se o Palácio dos Reis de Portugal entre o século XVI e o séc. XVIII e hoje alberga departamentos ministeriais e o Supremo Tribunal de Justiça. É uma das maiores praças da Europa e a entrada nobre da cidade. No centro está a estátua de D. José, de 1775, da autoria de Machado de Castro. Existem vários restaurantes com esplanadas, dos quais se destaca o café Martinho da Arcada, outrora frequentado por Fernando Pessoa. Por vezes realizam-se espectáculos de projecção de vídeo.


Café Martinho da Arcada


3. ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA


Situado na Praça do Comércio, faz a ligação da frente ribeirinha com a Baixa Pombalina, dando acesso a uma das mais importantes artérias de Lisboa, a Rua Augusta.
A sua construção demorou cerca de um século,  tendo sido concluído em 1875.
As esculturas que o adornam representam a Glória coroando o Génio e o Valor, os rios Tejo e Douro, bem como importantes personalidades da história portuguesa: Nuno Álvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marquês de Pombal.
Através de um elevador, é possível subir ao terraço que fica no topo do Arco,  o qual proporciona uma vista panorâmica sobre o rio e toda a baixa pombalina.






4. EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO

Praça do Município

Construído entre 1865 e 1880, em estilo neoclássico,  alberga a Câmara Municipal de Lisboa.
No interior, existe uma belíssima  escadaria, uma cúpula decorada com Trompe-l'oeil e uma galeria de exposições temporárias.



Exposição "Lisboa 1415 Ceuta", Dezembro de 2015




5. EDIFÍCIO DO BANCO TOTTA & AÇORES

Rua do Ouro, nº 82-92 e Rua dos Sapateiros, nº 21

A fachada principal deste edifício, em mármore, é profusamente ornamentada: colunas, cabeças de leão, capitéis em forma de âncora, serpentes enroladas num ceptro são alguns exemplos. Este edifício faz parte de um quarteirão onde se encontram sedes de outros bancos que também ocupam edifícios imponentes com pormenores curiosos. No início, este quarteirão estava destinado apenas à habitação e comércio, mas a partir do final do séc. XIX alguns lotes começaram a ser ocupados por sedes de bancos.





6. ELEVADOR DE STA JUSTA

R. do Ouro

Inaugurado a 10 de Julho de 1902, este elevador de ferro fundido, em estilo neogótico, liga a rua do Ouro ao Largo do Carmo. Do terraço vê-se o Rossio, a Baixa, o Castelo de S. Jorge, o Rio Tejo e as ruínas da Igreja do Convento do Carmo.





7. IGREJA DE S. NICOLAU

Rua Vitória

Igreja fundada no séc. XIII, foi reconstruída durante os sécs. XVIII e XIX, após o terramoto. No interior, é possível observar pinturas representando cenas da vida de S. Nicolau e um núcleo museológico de arte sacra.




8. CONFEITARIA NACIONAL

Praça da Figueira 18B

Foi fundada em 1829 e tornou-se desde então uma das melhores pastelarias da cidade. Continua a utilizar muitas das receitas originais, e tem recebido vários prémios e distinções a nível nacional e internacional. 
O seu interior, com as pinturas murais e o tecto espelhado, é muito bonito e motivação suficiente para uma visita.



9. PRAÇA DA FIGUEIRA

Antes do terramoto de 1755 era aqui que se localizava o Hospital de Todos-os-Santos. Depois, passou a acolher o principal mercado da cidade e em 1885 foi aí construído um mercado coberto, que acabou por ser demolido. Hoje existem hotéis,  lojas, cafés e recentemente abriu um mercado que evoca o anterior. 
No centro da praça está a estátua equestre de D. João I.


Estátua de D. João I

mercado da Praça da Figueira



10. PRAÇA D. PEDRO IV

Também conhecida por Rossio,  é dominada pelo teatro D. Maria II,  construído entre 1846 e 1849. No centro encontra-se a estátua de D. Pedro IV, ladeada por duas fontes com esculturas de figuras mitológicas. É também nesta praça que se situam a pastelaria Suíça e o café Nicola, conhecido por ter sido frequentado pelo poeta Bocage.







11. ANIMATÓGRAFO DO ROSSIO


R. dos Sapateiros, 225-229

Inaugurado em 8 de Dezembro de 1907, começou por ser o cinema mais requintado de Lisboa, mas a partir de 1994 passou a exibir espectáculos eróticos. Inserido num edifício do séc XVIII,  apresenta uma fachada em Arte Nova, com dois painéis de azulejos policromos. 



12. GINGINHA

Largo de S. Domingos, n.º 8

No Largo de S. Domingos está o estabelecimento onde se começou a vender a bebida mais popular de Lisboa: a ginginha, um licor feito com aguardente, açúcar, canela e água. O estabelecimento consiste em pouco mais do que um balcão,  por isso costuma-se saborear a ginginha na rua, junto à porta. 





13. IGREJA DE S. DOMINGOS 


Largo de S. Domingos


Igreja construída no séc XIII que já conserva pouco do seu traço medieval. Actualmente predomina o estilo barroco. Após dois sismos e um incêndio foi reconstruída várias vezes. No interior ainda é possível observar marcas do incêndio de 1959.




14.PALÁCIO DA INDEPENDÊNCIA

Largo de S. Domingos

Foi neste palácio, então pertencente à família Almada, que se planeou a última reunião que levaria à Restauração da Independência de Portugal, em 1640.
Resistiu ao terramoto de 1755, por isso conservou muitos dos traços originais. Junta vários estilos arquitectónicos - manuelino, maneirista e arabizante - e ainda conserva as grandes chaminés quinhentistas e os painéis de azulejos do séc XVIII. Do jardim é possível aceder à muralha fernandina, com vista sobre a Baixa.
Quando, em 1833, foi aqui instalada a Comissão Geral de Estudos, Almeida Garret passou a ser residente do palácio, enquanto trabalhou como vogal-secretário da Comissão.





15. CASA DO ALENTEJO

R. das Portas de Santo Antão, 58

Associação criada na primeira metade do século XX com o objectivo de reunir e apoiar os alentejanos radicados em Lisboa, através de actividades culturais, sociais e recreativas.
O palácio que alberga esta associação foi construído no séc XVII, tendo sofrido diversas remodelações desde então. No seu interior é possível observar uma profusão de estilos arquitectónicos e decorativos como o neo-árabe, a arte nova e o barroco. 
Para dinamização da cultura alentejana,  a casa do Alentejo dispõe de um restaurante que serve pratos tradicionais, promovendo também exposições, palestras e eventos musicais, como concertos de cante alentejano.





16. PRAÇA DOS RESTAURADORES 

A movimentada Praça dos Restauradores fica perto do Rossio e no início da Avenida da Liberdade,  que se estende até à Praça Marquês de Pombal. 
No centro,  destaca-se o Obelisco,  de 1886, erigido para comemorar a restauração da independência de Portugal (1640) em relação a Espanha. As figuras em bronze representam a Vitória e a Liberdade. A praça está rodeada de edifícios que merecem atenção, como o Cineteatro Éden.





17. CINETEATRO ÉDEN

Praça dos Restauradores

Edifício de arquitectura modernista, construído na década de 30 do séc XX.  Começou por ser uma animada sala de espectáculos até 1989, passando a albergar um hotel a partir de 1995. Destaque para os baixos-relevos na fachada, representado a variedade de artes executadas nos espectáculos. 






18. AVENIDA DA LIBERDADE

A Avenida da Liberdade liga a Praça dos Restauradores à Praça Marquês de Pombal. Tem origem no Passeio Público criado no séc XVIII. 
A avenida como a conhecemos hoje foi construída entre 1879 e 1882, tendo como referência os Campos Elísios de Paris.
É uma avenida larga, arborizada, com fontes ornamentais e esplanadas.
A ladeá-la estão edifícios com lojas, escritórios e hotéis. 




19. PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL


Entre a Avenida da Liberdade e o Parque Eduardo Sétimo,  encontramos esta praça onde se ergue um monumento ao Marquês de Pombal,  responsável pela reconstrução de Lisboa após o terramoto. Este monumento foi inaugurado em 1934. Sob a estátua em bronze, estão grupos de esculturas que evocam as obras e reformas lideradas pelo Marquês, bem como uma figura feminina que simboliza a cidade de Lisboa reconstruída.