sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Provincetown


Provincetown fica no extremo da costa de Cape Cod, no Estado de Massachusetts. Foi aqui que, em 1620, chegou o navio Mayflower, vindo de Plymouth (Inglaterra), transportando 102 passageiros que se tornaram os primeiros povoadores de New England. Depois de 67 dias no mar, ancoraram em Provincetown durante 35 dias. Antes de desembarcar assinaram o The Mayflower Compact, um documento que estabelecia regras e princípios de governação. Este documento é considerado a origem da democracia americana e é o que o Pilgrim Monument (construído no séc. XX ) assinala. Apesar de Provincetown oferecer segurança e boa pesca, não tinha bom solo para agricultura, nem uma boa fonte de água potável, por isso os peregrinos fizeram três viagens para procurar outra região com melhores condições. Acabaram por partir para o outro lado da baía de Cape Cod, onde fundaram uma nova Plymouth.



Provincetown cresceu rápido, tornando-se num importante centro piscatório. Muitos pescadores portugueses, vindos dos Açores, estabeleceram-se aqui. Esta comunidade de pescadores portugueses que cresceu, sobretudo, a partir da segunda metade do séc. XIX, mudou a vida cultural, religiosa e social de Provincetown.
Por volta de 1890 mais de metade da população era portuguesa. À medida que Provincetown crescia, tornando-se numa importante colónia de artistas e num conhecido resort de Verão, as famílias de portugueses contribuíam para o fluorescente turismo, hospedando turistas em suas casas, abrindo restaurantes de gastronomia portuguesa, organizando excursões piscatórias e de observação de baleias.
Apesar de ser conhecida a vinda precoce de artistas para Provincetown, é com a abertura da Cape Cod School of Arts, por Charles Hawthorne, em 1898, que Provincetown é internacionalmente reconhecida como uma importante colónia artística.
Em 1916 Provincetown é considerada pelo jornal The Boston Globe a maior colónia artística do mundo, concentrando-se ali mais de 600 artistas (pintores, escultores, actores, músicos, escritores...).
Foi também nesta altura que Provincetown começou a ser procurada pela comunidade gay (homens e mulheres).  Aqui tinham muito mais liberdade, incluindo no modo de vestir. Actualmente Provincetown é um importante gay and lesbian resort.

The Red Inn


Como chegámos a Provincetown?

No porto de Boston - o World Trade Center Wharf - apanhámos um barco às 8h30 da manhã que chegou a Provincetown por volta das 10h30.






O que fazer em Provincetown?




1. MacMilan Wharf

É o porto principal de Provincetown, onde estão ancorados barcos de pesca, de passageiros e de observação de baleias. Também é daqui que partem os barcos para Boston e Plymouth. Oferece uma vista panorâmica de toda a zona ribeirinha da cidade. Nesta zona existe uma grande variedade de vida marinha: peixes, aves, moluscos, leões marinhos, algas, golfinhos e baleias.



2.Whydah Pirate Museum

Whydah é o nome de um navio pirata que naufragou junto à costa, em 1717. Em 1984, uma expedição recuperou mais de 100 mil artefactos pertencentes a cerca de 50 navios capturados. Neste museu é possível ver alguns desses artefactos, bem como conhecer o modo de vida dos piratas.



3. Provincetown Public Library

Construído em 1860, o edifício que alberga hoje a Biblioteca de Provincetown começou por ser uma Igreja. Converteu-se depois, em 1974,  num centro de artes que esteve aberto apenas 1 ano. Em 1976 reabriu, mas como The Provincetown Heritage Museum. Era um museu histórico, onde foi instalado um modelo em meia escala do Rose Dorothea, um veleiro vencedor de várias corridas. Quando, em 2005, o edifício se transforma mais uma vez, abrindo como biblioteca pública, decidiu-se que se ia manter a réplica do Rose Dorothea (bem como grande parte do espólio do anterior museu), construindo-se à sua volta estantes para os livros. Actualmente o veleiro ocupa a sala de leitura das crianças. A biblioteca tem várias salas de leitura, com acesso à internet.




4. jardim de esculturas

Mesmo em frente à entrada da biblioteca, do outro lado da rua (4 Center Street), existe uma casa, cujo jardim está povoado por esculturas invulgares que atraem curiosos. Esta casa foi construída em 1870 como casa do padre da Igreja (que agora é a Biblioteca Municipal). O actual proprietário adquiriu-a em 1991.





Fundado em 1968, tem como principal objectivo apoiar jovens artistas e escritores no início de carreira, através de bolsas e residências. Na Hudson D. Walker Gallery é possível ver exposições de  trabalhos de bolseiros do Fine Arts Work Center.



6.  East End Gallery District

Na Commercial Street encontramos imensas galerias que dão a conhecer uma grande variedade de artistas e estilos. No Verão, todas as sextas feiras ao entardecer, as galerias abrem as suas portas para encontros mais informais e intimistas entre os proprietários, o público e os artistas.







Criado em 1914 por artistas e empresários locais, tem como objectivo promover as belas-artes em Provincetown, evocando a energia criativa da primeira colónia artística. Dinamiza exposições, cursos, concertos e outras actividades, de modo a aproximar a arte das pessoas. Reúne cerca de 700 artistas associados e uma significativa colecção de obras.



Este monumento de granito foi construído entre 1907 e 1910 para comemorar o desembarque dos Peregrinos em Provincetown, em 1620. É considerada a mais alta estrutura em granito dos Estados Unidos. Na sua base encontra-se o Provincetown Museum, com exposições temporárias e uma exposição permanente sobre a história de Provincetown. No topo existe um miradouro que proporciona uma vista de 360 graus sobre a cidade e a baía.






9. Caminhada: The Salt Marsh e Herring Cove Beach

Em West End, existe uma placa comemorativa da chegada dos Peregrinos a Provincetown, a 6 de Novembro de 1620.


Daqui é possível fazer uma caminhada por um dique, atravessando The Salt Marsh - um importante habitat, semelhante a um sapal, onde vive uma grande variedade de animais - até à praia, a Herring Cove Beach. Com alguma sorte será possível avistar leões marinhos que por vezes passam perto do areal.





Onde comer?


The Red Inn

15 Commercial St


Construído no séc. XIX, começou a receber hóspedes a partir de 1915, entre os quais o Presidente Theodore Roosevelt. Tem uma decoração sofisticada, mas acolhedora. O restaurante tem um menu variado, com opções saudáveis.


Purple Feather

334 Commercial St

É uma pastelaria / cafetaria com bolos de fabrico próprio, chocolates artesanais e uma variada oferta de refeições mais ligeiras e rápidas como panini, sandwiches e saladas.




Wired Puppy

379 Commercial St

Um espaço simpático e luminoso que oferece uma grande variedade de cafés e chás orgânicos, bem como outros produtos frescos, confeccionados no próprio dia e local.




Angels Foods

467, Commercial St

 Uma mercearia com uma óptima secção de take away, padaria, fruta e vegetais e produtos gourmet.



Onde dormir?

Carpe Diem Ghesthouse

12-14 Johnson St

Hotel com ambiente sofisticado, mas familiar. Tem um spa com sauna, jacuzzi e massagens. Os quartos tem nomes de escritores e poetas célebres, sendo que cada um tem a sua própria individualidade, com uma decoração diferente dos outros. Os quartos dispõem-se em torno de um charmoso pátio decorado com motivos orientais. Ao pequeno-almoço os hóspedes reúnem-se na sala de refeições, onde vários tipos de pães, bolos, cereais, café, leite, sumos e chá estão à sua disposição.





Site do Turismo de Provincetown aqui


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lisboa: do Cristo Rei ao Marquês de Pombal para (re)descobrir a Baixa


a Baixa Pombalina  vista do topo do Arco da Rua Augusta



Após o terramoto de 1755 o Marquês de Pombal mandou edificar a zona conhecida como Baixa de Lisboa. 
Na construção das casas foram utilizadas técnicas e estruturas antissísmicas e de prevenção de incêndios, tornando-se num dos primeiros  exemplos deste tipo de construção a nível mundial.
Outro aspecto que distingue esta zona de Lisboa é o facto de as ruas serem rectas e perpendiculares, respeitando uma determinada hierarquia e medida, sendo a Rua Augusta o eixo central.
Também foi na Baixa que se instalou a primeira rede de saneamento público do país.

Começámos esta visita no Cristo Rei, em Almada, de onde se tem uma esplêndida vista sobre o rio Tejo e Lisboa. Depois apanhámos um cacilheiro para o  Cais do Sodré. Caminhámos até ao Terreiro de Paço e foi no Cais das Colunas que  iniciámos o nosso percurso. No fim prolongámos a visita para além da Baixa, percorrendo a Avª da Liberdade, para terminar na Praça Marquês de Pombal, onde se encontra a estátua de Sebastião José de Carvalho e Melo,  responsável pela reconstrução da cidade.



Cristo Rei em Almada
Rio Tejo e Lisboa. Vista do miradouro do Cristo Rei



1. CAIS DAS COLUNAS

Fazendo parte do projecto da Praça do Comércio, foi construído no séc. XVIII, após o terramoto de 1755. O seu nome deve-se às duas colunas que ladeiam a escadaria que dá acesso ao rio. Durante muito tempo foi a porta da cidade, para quem chegava de barco. Actualmente é um local de encontro e lazer.



2. TERREIRO DO PAÇO 

Aqui situou-se o Palácio dos Reis de Portugal entre o século XVI e o séc. XVIII e hoje alberga departamentos ministeriais e o Supremo Tribunal de Justiça. É uma das maiores praças da Europa e a entrada nobre da cidade. No centro está a estátua de D. José, de 1775, da autoria de Machado de Castro. Existem vários restaurantes com esplanadas, dos quais se destaca o café Martinho da Arcada, outrora frequentado por Fernando Pessoa. Por vezes realizam-se espectáculos de projecção de vídeo.


Café Martinho da Arcada


3. ARCO TRIUNFAL DA RUA AUGUSTA


Situado na Praça do Comércio, faz a ligação da frente ribeirinha com a Baixa Pombalina, dando acesso a uma das mais importantes artérias de Lisboa, a Rua Augusta.
A sua construção demorou cerca de um século,  tendo sido concluído em 1875.
As esculturas que o adornam representam a Glória coroando o Génio e o Valor, os rios Tejo e Douro, bem como importantes personalidades da história portuguesa: Nuno Álvares Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marquês de Pombal.
Através de um elevador, é possível subir ao terraço que fica no topo do Arco,  o qual proporciona uma vista panorâmica sobre o rio e toda a baixa pombalina.






4. EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO

Praça do Município

Construído entre 1865 e 1880, em estilo neoclássico,  alberga a Câmara Municipal de Lisboa.
No interior, existe uma belíssima  escadaria, uma cúpula decorada com Trompe-l'oeil e uma galeria de exposições temporárias.



Exposição "Lisboa 1415 Ceuta", Dezembro de 2015




5. EDIFÍCIO DO BANCO TOTTA & AÇORES

Rua do Ouro, nº 82-92 e Rua dos Sapateiros, nº 21

A fachada principal deste edifício, em mármore, é profusamente ornamentada: colunas, cabeças de leão, capitéis em forma de âncora, serpentes enroladas num ceptro são alguns exemplos. Este edifício faz parte de um quarteirão onde se encontram sedes de outros bancos que também ocupam edifícios imponentes com pormenores curiosos. No início, este quarteirão estava destinado apenas à habitação e comércio, mas a partir do final do séc. XIX alguns lotes começaram a ser ocupados por sedes de bancos.





6. ELEVADOR DE STA JUSTA

R. do Ouro

Inaugurado a 10 de Julho de 1902, este elevador de ferro fundido, em estilo neogótico, liga a rua do Ouro ao Largo do Carmo. Do terraço vê-se o Rossio, a Baixa, o Castelo de S. Jorge, o Rio Tejo e as ruínas da Igreja do Convento do Carmo.





7. IGREJA DE S. NICOLAU

Rua Vitória

Igreja fundada no séc. XIII, foi reconstruída durante os sécs. XVIII e XIX, após o terramoto. No interior, é possível observar pinturas representando cenas da vida de S. Nicolau e um núcleo museológico de arte sacra.




8. CONFEITARIA NACIONAL

Praça da Figueira 18B

Foi fundada em 1829 e tornou-se desde então uma das melhores pastelarias da cidade. Continua a utilizar muitas das receitas originais, e tem recebido vários prémios e distinções a nível nacional e internacional. 
O seu interior, com as pinturas murais e o tecto espelhado, é muito bonito e motivação suficiente para uma visita.



9. PRAÇA DA FIGUEIRA

Antes do terramoto de 1755 era aqui que se localizava o Hospital de Todos-os-Santos. Depois, passou a acolher o principal mercado da cidade e em 1885 foi aí construído um mercado coberto, que acabou por ser demolido. Hoje existem hotéis,  lojas, cafés e recentemente abriu um mercado que evoca o anterior. 
No centro da praça está a estátua equestre de D. João I.


Estátua de D. João I

mercado da Praça da Figueira



10. PRAÇA D. PEDRO IV

Também conhecida por Rossio,  é dominada pelo teatro D. Maria II,  construído entre 1846 e 1849. No centro encontra-se a estátua de D. Pedro IV, ladeada por duas fontes com esculturas de figuras mitológicas. É também nesta praça que se situam a pastelaria Suíça e o café Nicola, conhecido por ter sido frequentado pelo poeta Bocage.







11. ANIMATÓGRAFO DO ROSSIO


R. dos Sapateiros, 225-229

Inaugurado em 8 de Dezembro de 1907, começou por ser o cinema mais requintado de Lisboa, mas a partir de 1994 passou a exibir espectáculos eróticos. Inserido num edifício do séc XVIII,  apresenta uma fachada em Arte Nova, com dois painéis de azulejos policromos. 



12. GINGINHA

Largo de S. Domingos, n.º 8

No Largo de S. Domingos está o estabelecimento onde se começou a vender a bebida mais popular de Lisboa: a ginginha, um licor feito com aguardente, açúcar, canela e água. O estabelecimento consiste em pouco mais do que um balcão,  por isso costuma-se saborear a ginginha na rua, junto à porta. 





13. IGREJA DE S. DOMINGOS 


Largo de S. Domingos


Igreja construída no séc XIII que já conserva pouco do seu traço medieval. Actualmente predomina o estilo barroco. Após dois sismos e um incêndio foi reconstruída várias vezes. No interior ainda é possível observar marcas do incêndio de 1959.




14.PALÁCIO DA INDEPENDÊNCIA

Largo de S. Domingos

Foi neste palácio, então pertencente à família Almada, que se planeou a última reunião que levaria à Restauração da Independência de Portugal, em 1640.
Resistiu ao terramoto de 1755, por isso conservou muitos dos traços originais. Junta vários estilos arquitectónicos - manuelino, maneirista e arabizante - e ainda conserva as grandes chaminés quinhentistas e os painéis de azulejos do séc XVIII. Do jardim é possível aceder à muralha fernandina, com vista sobre a Baixa.
Quando, em 1833, foi aqui instalada a Comissão Geral de Estudos, Almeida Garret passou a ser residente do palácio, enquanto trabalhou como vogal-secretário da Comissão.





15. CASA DO ALENTEJO

R. das Portas de Santo Antão, 58

Associação criada na primeira metade do século XX com o objectivo de reunir e apoiar os alentejanos radicados em Lisboa, através de actividades culturais, sociais e recreativas.
O palácio que alberga esta associação foi construído no séc XVII, tendo sofrido diversas remodelações desde então. No seu interior é possível observar uma profusão de estilos arquitectónicos e decorativos como o neo-árabe, a arte nova e o barroco. 
Para dinamização da cultura alentejana,  a casa do Alentejo dispõe de um restaurante que serve pratos tradicionais, promovendo também exposições, palestras e eventos musicais, como concertos de cante alentejano.





16. PRAÇA DOS RESTAURADORES 

A movimentada Praça dos Restauradores fica perto do Rossio e no início da Avenida da Liberdade,  que se estende até à Praça Marquês de Pombal. 
No centro,  destaca-se o Obelisco,  de 1886, erigido para comemorar a restauração da independência de Portugal (1640) em relação a Espanha. As figuras em bronze representam a Vitória e a Liberdade. A praça está rodeada de edifícios que merecem atenção, como o Cineteatro Éden.





17. CINETEATRO ÉDEN

Praça dos Restauradores

Edifício de arquitectura modernista, construído na década de 30 do séc XX.  Começou por ser uma animada sala de espectáculos até 1989, passando a albergar um hotel a partir de 1995. Destaque para os baixos-relevos na fachada, representado a variedade de artes executadas nos espectáculos. 






18. AVENIDA DA LIBERDADE

A Avenida da Liberdade liga a Praça dos Restauradores à Praça Marquês de Pombal. Tem origem no Passeio Público criado no séc XVIII. 
A avenida como a conhecemos hoje foi construída entre 1879 e 1882, tendo como referência os Campos Elísios de Paris.
É uma avenida larga, arborizada, com fontes ornamentais e esplanadas.
A ladeá-la estão edifícios com lojas, escritórios e hotéis. 




19. PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL


Entre a Avenida da Liberdade e o Parque Eduardo Sétimo,  encontramos esta praça onde se ergue um monumento ao Marquês de Pombal,  responsável pela reconstrução de Lisboa após o terramoto. Este monumento foi inaugurado em 1934. Sob a estátua em bronze, estão grupos de esculturas que evocam as obras e reformas lideradas pelo Marquês, bem como uma figura feminina que simboliza a cidade de Lisboa reconstruída.