domingo, 20 de dezembro de 2015

Road Trip Galiza 2: dias 5, 6 e 7, de Porto do Barqueiro a Betanzos

Porto do Barqueiro é uma pitoresca aldeia piscatória, junto à ria homónima. Foi aqui que tomámos o pequeno-almoço e começámos o nosso dia.


Para Norte, no coração das Rias Altas, está a Estaca de Bares, o ponto mais setentrional da Península Ibérica e confluência entre o Oceano Atlântico e o Mar Cantábrico. Da Ermita Garita tem-se uma boa perspectiva sobre o promontório, dominado pelo respectivo farol, actualmente hotel de natureza.

Ermita Garita

Estaca de Bares




Após uma visita ao adjacente parque eólico, prosseguimos para oeste, ao longo da ria de Ortigueira, até chegar ao porto de pesca com o mesmo nome, onde almoçámos bifes de atum envoltos em sementes de sésamo.



Depois de um breve passeio por esta localidade com as suas casas brancas, contornámos a ria e fizemos uma paragem numa das muitas praias existentes na zona: a Playa de Figueiras.


acesso à praia



Continuámos, atravessando a Serra da Capelada, até à Vixia da Herba, onde se localizam as falésias mais altas da Europa (logo atrás dos fiordes noruegueses), com 613 m acima do nível médio do mar.

Vixia da Herba




Descendo para Cedeira, tempo ainda para uma paragem na aldeia de San Andrés de Teixido.


Igreja de San Andrés de Teixido
Em Cedeira encontramos uma óptima praia em meia-lua, rodeada por aprazíveis jardins relvados e um centro histórico com as habituais galerias galegas.





Iniciámos o dia seguinte com uma caminhada por uma senda que contorna o carriçal que surge à beira do Rio Condomiñas.






O carriçal é constituído por plantas gramíneas, as quais se estabelecem em leitos fluviais pouco profundos, ou terrenos de aluvião que possibilitam a fixação de substratos arenosos, retendo assim a água doce, mesmo quando sujeitos à influência das marés. Isto possibilita a formação de um ecossistema que serve de refúgio a passeriformes e a aves migratórias como a ardea cinerea (garça real).
A envolver o carriçal, encontramos um bosque de floresta Laurissilva, constituída por loureiros, olmos e salgueiros.




Depois desta caminhada, dirigimo-nos para a cidade de Ferrol. Esta cidade alberga, desde há séculos, os estaleiros de construção e reparação da armada espanhola, tendo o seu apogeu no séc. XVIII. Sob os reinados de Filipe VI e Carlos III, a cidade conheceu um período de florescimento urbanístico, que ainda hoje é possível testemunhar em edifícios civis, religiosos e militares. Este facto fundamentou a candidatura do centro histórico da cidade a património da humanidade.
Em Ferrol podemos ainda encontrar vários edifícios modernistas, da autoria de Rodolfo Ucha.







Foi ainda em Ferrol, mais concretamente da praça de Espanha, que foi retirado o último monumento da Europa dedicado a Franco, em 2012.
No final do dia recolhemos ao Pazo da Merced, um paço do séc. XVII, recentemente restaurado, situado mesmo junto à Ria de Ferrol. Os quartos são confortáveis e espaçosos e existe a possibilidade de visitar a capela adjacente, dedicada a Nª Sr.ª da Merced.


No último dia desta viagem visitámos Betanzos e Pontedeume.
Pontedeume é uma cidade com ruas estreitas e cheias de lojas e bares. O posto de turismo fica situado numa torre senhorial.


Daqui, subimos à igreja de Santiago e deambulámos pelas ruas, observando a arquitectura caracterizada por balcões em madeira misturados com galerías galegas.



O ambiente da cidade é muito descontraído, com grupos de turistas em “tapeo”, ou simplesmente a passear.


Chegámos a Betanzos à hora do almoço. O destino foi o restaurante La Casilla, onde nos deliciamos com as suas famosas tortillas.


Esta cidade é mais monumental do que Pontedeume, tendo sido uma capital de província do reino da Galiza.




As suas igrejas são em estilo gótico, e no interior encontram-se túmulos de cavaleiros medievais, dos quais destacamos o de Fernán Pérez de Andrade, que liderou uma das principais irmandades contra o domínio feudal na região.










Pazo da Merced : http://www.pazodamerced.com/





sábado, 12 de dezembro de 2015

Road Trip Galiza 2 : dias 3 e 4, de Modoñedo a Viveiro





Mondoñedo é uma das sete províncias do antigo reino da Galiza e deve a sua origem à construção da catedral que veio pôr termo a uma alternância da sede de bispado entre Mondoñedo e San Martín. Por se encontrar no litoral, San Martín estava mais vulnerável aos ataques de corsários.



A catedral que se nos apresenta actualmente é o resultado de uma série de remodelações que foram feitas ao longo do tempo, desde a sua fundação, em 1112. A fachada é em pedra dourada, as torres são barrocas, a rosácea tem vitrais do séc. XIX, o portal é em estilo românico e os claustros são do séc. XVII. No interior encontra-se a imagem de Nuestra Senhora, La Inglesa, que foi salva da catedral de S. Paulo (Londres), aquando do incêndio de 1666.








Pela cidade encontramos uma grande quantidade de casas brasonadas e varandas envidraçadas, as quais conferem alguma leveza à arquitectura tradicional em granito. 









Tarta de Mondoñedo, feita com doce de abóbora e amêndoa

Começámos o dia seguinte com uma visita à basílica menor de San Martín de Mondoñedo, a mais antiga catedral de Espanha. 



Como foi dito, devido às investidas de piratas normandos, a cátedra transladou-se para Mondoñedo. 
O transepto possui magníficos capitéis esculpidos, onde figuram cenas bíblicas. 



Nesta igreja encontram-se também os frescos mais antigos do românico espanhol.






Depois de nos abastecermos de água santa da fonte de Zapata, seguimos para a cidade de Viveiro, onde ainda restam três portas da muralha que rodeou a cidade medieval. 



No seu interior as ruas estreitas conduzem o visitante a praças acolhedoras, lojas de comércio tradicional e livrarias.







A algumas centenas de metros da cidade, encontra-se a Playa de Covas, com umas exquisitas formações rochosas, que dão pelo nome de Os Castelos.



Depois de uma pizza "quatro queijos" numa esplanada próxima, regressámos ao nosso "Almacén".


dormimos aqui : O Almacén