No início de Junho, antes da chegada do tórrido Estio, fizemos um percurso de btt no Parque Natural de Montesinho.
Ficámos numa casa típica, a Casa de Onor, na aldeia de Rio de Onor, mesmo ao lado do rio homónimo. Apesar de termos chegado tarde fomos muito bem recebidos pela D. Rita, que improvisou um jantar delicioso com produtos tradicionais: presunto, queijo, vinho, pão, omelete e salada de tomate.
De seguida fomos para o quarto planear a viagem do dia seguinte. A tarefa mais trabalhosa foi desenhar na carta topográfica o percurso descrito no guia que temos vindo a utilizar, Descobrir Portugal, Itinerários Naturais, de Jorge Nunes e Manuel Nunes.
Por fim adormecemos enquanto o som da água do rio ecoava pela casa.
Na manhã seguinte, não estávamos tão recuperados como devíamos, pois a noite foi curta.
Para nos animar, a D. Rita preparou-nos um pequeno almoço delicioso, que tomámos na varanda sobranceira ao Rio.
De seguida fizemos uma curta viagem de carro até à aldeia de Guadramil. Percorrendo as ruas, fomos várias vezes abordados por pessoas curiosas que facilmente metiam conversa e partilhavam a sua história de vida. Enquanto apanhavamos água numa fonte contaram-nos que a Ribeira de Guadramil nunca secou e partilharam memórias de juventude a trabalhar em terras de Espanha. As casas não estão tão cuidadas como as de Rio de Onor, mas ainda é possível vislumbrar ferrolhos em madeira, alçados de madeira trabalhada, e uma igreja em pedra dedicada a S. Vicente.
Estava na hora de nos fazermos ao caminho.
O nosso caminho começou junto à antiga escola primária e entrou, de forma abrupta, por uma encosta de pinus sylvestris, até alcançar uma casa florestal. Embora o desnível fosse de apenas 50 m, serviu para acelerar a respiração.
Da casa florestal, situada já na linha de cumeada, iniciámos um percurso ligeiramente ascendente (150 m de desnível até à barragem junto às minas de Guadramil).
Porém, quando lá chegámos, não encontrámos mais que um charco, que mais fez lembrar a cratera de um meteorito.
Porém, quando lá chegámos, não encontrámos mais que um charco, que mais fez lembrar a cratera de um meteorito.
Parámos neste local para um almoço volante, também preparado pela D. Rita.
Era altura de continuar o passeio, ziguezaguiando por entre várias linhas de água que desciam do limite da fronteira. O pinheiro silvestre domina o estrato arbóreo, pontilhado por abetos e fetos. Junto às linhas de água, os fetos conferem um verde fluorescente à paisagem.
Depois de percorridos cerca de 4 kms alcançámos o planalto da Lomba Rasa, com magníficas panorâmicas sobre a Sierra da Culebra. O percurso inflecte para sul, bordejando um souto e entronca na estrada Municipal 308, que desce, serpenteando até Rio de Onor.
A aldeia estende-se nas margens do rio.
A malha urbana alterna com quintais onde se cultiva uma grande variedade de produtos. A ausência de supermercados, ou qualquer loja de comércio é o resultado de uma comunidade autosuficiente, revelando que na entreajuda todos ganham.
Jantámos no restaurante o Trilho, com esplanada junto ao rio.
posta mirandesa com arroz, batata frita, salada
No dia seguinte, iniciámos a primeira etapa cujo destino era a aldeia de Labiados. Após um primeiro troço pela estrada Municipal 308, virámos à esquerda para um caminho de terra batida, onde havia uma indicação de árvore notável.
O trilho desceu em direcção ao rio, que atravessámos numa ponte de cimento. No entanto, na outra margem, o caminho estava cortado por uma vala com um metro de largura, que tivemos de contornar, desbravando caminho em lameiros.
Voltámos ao percurso, mas a progressão não foi fácil, pois havia muitas plantas. Por fim, desembocámos num entroncamento, onde seguimos por um caminho corta fogo pela cumeada, vencendo um desnível de mais de 100 m. Aqui cruzámo-nos com outro casal de ciclistas que se dirigiam para Rio de Onor. Sentimo-nos um pouco melhor ao saber que não éramos os únicos a desbravar esta terra selvagem. Já perto do cabeço, um desvio à direita, levou-nos sob as fragas de Rebal do Cabo de volta ao Rio de Onor, que atravessámos a pé descalço.
A partir daqui, uma sucessão de caminhos florestais bem conservados conduziu-nos outravez a um jogo de escondidas com o rio, saltitando entre margens, onde domina o pinus sylvestris, sobrevivendo pequenos soutos, numa estreita faixa junto às margens.
Por fim, divergimos pela margem esquerda do Rio até alcançar Labiados. Recortada pela ribeira homónima, encontrámos o Puzzle Café, onde parámos para descansar e comer.
Demos uma volta pela aldeia, e deparámo-nos com a capela de Nossa Senhora da Assunção, onde duas simpáticas velhotas decoravam os altares com flores cultivadas nos quintais da aldeia (de propósito para adornar os santos) pois aqui não há floristas.O trilho desceu em direcção ao rio, que atravessámos numa ponte de cimento. No entanto, na outra margem, o caminho estava cortado por uma vala com um metro de largura, que tivemos de contornar, desbravando caminho em lameiros.
Voltámos ao percurso, mas a progressão não foi fácil, pois havia muitas plantas. Por fim, desembocámos num entroncamento, onde seguimos por um caminho corta fogo pela cumeada, vencendo um desnível de mais de 100 m. Aqui cruzámo-nos com outro casal de ciclistas que se dirigiam para Rio de Onor. Sentimo-nos um pouco melhor ao saber que não éramos os únicos a desbravar esta terra selvagem. Já perto do cabeço, um desvio à direita, levou-nos sob as fragas de Rebal do Cabo de volta ao Rio de Onor, que atravessámos a pé descalço.
A partir daqui, uma sucessão de caminhos florestais bem conservados conduziu-nos outravez a um jogo de escondidas com o rio, saltitando entre margens, onde domina o pinus sylvestris, sobrevivendo pequenos soutos, numa estreita faixa junto às margens.
Por fim, divergimos pela margem esquerda do Rio até alcançar Labiados. Recortada pela ribeira homónima, encontrámos o Puzzle Café, onde parámos para descansar e comer.
Já de bicicleta, orientámos o nosso caminho para a Cabeça Velha, com 981 m, o mais alto dos cabeços da alta lombada. A vista do panorama actualmente só é possível para sul, pois Rio de Onor e a Serra da Culebra ficaram tapadas pelas copas dos pinheiros.
Daqui iniciámos o troço final de regresso a Guadramil, com boas descidas em terra batida, por entre estevais, onde ainda avistámos um corço.
Por fim, o casario de Guadramil apareceu aninhado num vale. O nosso caminho desembocou junto à antiga escola, no exacto momento em que os sinos tocaram a repique, anunciando as 20h.