sábado, 24 de junho de 2017

Diário de Viagem: Île-de-France, dia 5 - Château de Fontainebleu




Hoje de manhã os raios de sol mais uma vez entraram pela janela, o que nos deu boa disposição logo ao acordar. Temos tido muita sorte com o tempo, porque têm estado temperaturas altas e sol quase todos os dias. Apenas à noite arrefece um pouco. 
Para hoje escolhemos o ponto de interesse mais conhecido da nossa viagem: Fontainebleau, uma floresta de faias,  carvalhos e pinheiros da Normandia, onde vivem javalis,  veados e outros animais que desde a idade média atraíram os reis e nobres franceses.   Aqui foi construído um castelo na Idade Média,  que no reinado de François I, deu lugar ao primeiro edifício renascentista francês. 

Château de Fontainebleau


Para lá chegar apanhámos o comboio RER até à estação de Fontainebleau-Avon. Da estação seguimos no autocarro número 1 que nos deixou junto à entrada do jardim de Diana. 
Depois de comprarmos os bilhetes e levantarmos o audioguia,  iniciámos a visita pelo Museu de Napoleão I, onde é possível ver as poucas obras de arte que o conquistador da Europa guardou para si.

  
Mais interessante é a colecção do minúsculo museu chinês, que mais não é do que um repositório das ofertas trazidas pelos Reis de Sião, actual Tailândia, aquando da visita a França: incensários, móveis profusamente esculpidos com cenas da natureza, um altar e liteiras decoradas com motivos exóticos. 


Almoçámos rapidamente no Pátio do Adeus ou do Cavalo Branco,  para, às 14h30, iniciarmos a visita guiada aos Petit Apartments de Napoleão I.



Trata-se dos aposentos do conquistador da Europa e das suas duas esposas, primeiro Maria Cristina,  rejeitada por não conceber um herdeiro a Napoleão e depois Josefina.
A austeridade domina estes aposentos, em estilo império, que contrastam com a opulência e riqueza decorativa dos Grands Appartements de Napoleão III.


Aqui ficámos deslumbrados com a galeria de François I,  com o exuberante salão de baile e pela sucessão de divisões privadas,  decoradas com frescos e estuque pelos mestres italianos contratados por François I durante as suas campanhas em Itália, que deram origem à primeira escola de Fontainebleau e pelos mestres parisienses do séc XVIII,  sob a influência da Flandres, que deram origem à segunda escola de Fontainebleau.

salão de baile





No rés do chão visitámos a Galeria dos Veados,  com representações dos vários palácios construídos pela burguesia à volta da cidade de Paris para servir de apoio à caça, o passatempo mais popular da nobreza e da burguesia durante os tempos de paz.


Depois de terminarmos a visita,  espreitámos o Lago das Carpas,  e lanchámos junto ao Grand Canal. Entretanto,  um cisne,  patos e galeirões aproximaram-se. Nós não resistimos e partilhámos com eles o nosso pão de nozes.



Assim que o Sol se escondeu atrás das árvores,  sentimos imediatamente um frio seco, que nos lembrou que o Mediterrâneo está a centenas de kms.



Partimos ao longo do Grand Canal com mais de um km de extensão e saímos do Parque em direcção à estação de comboio,  para regressar a Paris.  
Para nos despedirmos de Paris,  voltámos mais uma vez à Boulevard de Montparnasse onde conhecemos mais um Terrace Café,  o Dôme.
Os pratos escolhidos foram salmão marinado com uma salada de grelos e agriões e dourada com risotto.


domingo, 11 de junho de 2017

Diário de Viagem: Île-de-France, dia 4 - Château de Chantilly



nos jardins do Château de Chantilly


Acordámos novamente com raios de sol. 
Durante a semana, a zona de La Villete acalma, uma vez que há menos gente a polvilhar as margens do canal.



Dirigimo-nos para a estação de Paris-Nord, onde apanhámos um comboio RER com destino a Criel para visitarmos o Château de Chantilly.  
Saímos na estação de Chantilly Gouvieux. O Castelo fica a cerca de 1,5 km. Optámos por fazer um percurso marcado num mapa afixado junto ao posto de turismo. 




Passámos por um bosque de faias e depois ladeámos o hipódromo, até alcançar os grandes estábulos. Trata-se de uma construção oitocentista, criada de raiz como escola equestre. Chantilly é um sítio muito importante para os amantes dos cavalos e possui um museu vivo do cavalo e do pónei, onde é possível chegar perto destes animais elegantes, ver uma exposição sobre a história da relação entre o homem e o animal e assistir a espectáculos equestres. 



No dia da nossa visita estava disponível uma exibição chamada Dressage,  onde duas instrutoras explicaram os vários passos do cavalo,  a forma de comunicar com eles e uma breve história da escola equestre. 


Quando eram três da tarde ainda não tínhamos almoçado. Saímos a meio do espectáculo e seguimos para o Jardim Inglês, integrado no complexo do Château. Aqui encontrámos elementos decorativos clássicos,  como por exemplo o templo de Vénus,  a Ilha do Amor e as Fontes de Beauvais.

no Jardim Inglês, a caminho do Templo de Venus


 Templo de Venus

Ilha do Amor

Fontes de Beauvais


 À beira de um lago fizemos um piquenique.


                                                            chegando ao Château de Chantilly, onde passámos a tarde

Ao contrário do Château de Vaux le Vicomte,  este Palácio tem origens medievais,  do séc XIV, tendo sido remodelado por Anne de Montmorency, duque de Montmorency, que nasceu e viveu em Chantilly. 


No séc XVII, Le Notre criou jardins ao estilo Francês,  com um grande canal a perder de vista e numerosas fontes com repuxos. 



Para Este,  fica o jardim Anglo Chinês, onde passeámos ao entardecer. 



Desembocámos numa aldeia normanda,  onde o restaurante Hamlet estava quase a fechar.



Continuámos, seguindo o Grande Canal, até alcançar a Grande Cascade. 
Aqui fizemos mais uma paragem,  junto a um lago circular.


De regresso ao Palácio, procurámos o enclave dos cangurus assinalado no mapa. De entre os cangurus castanhos, sobressaía um branco que saltitava de um lado para o outro.  Mais perto de nós,  uma mãe canguru transportava o seu filhote na bolsa,  enquanto os dois se alimentavam.





sexta-feira, 19 de maio de 2017

Diário de Viagem: Île-de-France, dia 3 - Château de Vaux-le-Vicomte

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Na segunda-feira,  o terceiro dia em Paris, optámos por comprar um almoço volante num supermercado a caminho do metro.  
Fizemos uma viagem de comboio ao longo da margem esquerda do Sena e saímos na estação de Melun. O nosso objectivo deste dia era visitar o Château de Vaux-le-Vicomte. Procurámos um autocarro da estação até lá,  mas não encontrámos,  por isso apanhámos um táxi. Já quase a chegar ao Palácio,  atravessámos um túnel de árvores altas que ladeavam a estrada. 


Depois de almoçarmos num parque de merenda fomos visitar o Musée des Équipages. 




Assim que nos aproximámos do eixo entre o portão e a fachada principal alcançámos o ponto de perspectiva que tornou famoso o palácio. O nosso olhar atravessa o edifício através das portadas de vidro do rés do chão e alcança a estátua dourada de Hércules a cerca de 1 Km e meio do lado oposto.


Este palácio é mais imponente do que o de Champs-sur-Marne e também 100 anos mais antigo. Foi mandado construir por Nicolas Fouquet,  no séc XVII,  tendo reunido os principais mestres do seu tempo. 




Louis Le Vau desenhou a mansão,  criando já um espaço próprio para as refeições.




As divisões mais importantes são os aposentos do rei e o grande salão,  com dezasseis cariatides representado os 12 signos do zodíaco e as quatro estações do ano.




A decoração interior a cargo de Le Brun teve tanto sucesso que acabou por dar origem ao estilo Luís XIV. 




Vatel foi o nome escolhido para cozinheiro,  enquanto que La Fontaine era o poeta residente.  Cada um destes mestres seguiu a batuta de Le Nôtre,  um arquitecto paisagista que alcançou em Vaux-le-Vicomte o expoente da perspectiva e harmonia.  


Passeámos pelo enorme jardim,  com vários terraços relvados,  lagos e esculturas até chegar ao Grand Canal.  




Do outro lado, surgem as Grutas,  uma fonte romântica decorada com estátuas de Deuses dos Rios.


Subindo umas escadas temos acesso à colina, onde se ergue a estátua de Hércules,  um colosso dourado que recentemente foi restaurado. 




Aqui fizemos mais uma paragem para lanchar,  sentados na relva verde. 


Quando terminámos faltavam apenas 15 minutos para o jardim fechar. De regresso,  percorremos uma área arborizada...




...e passámos pelo oratório e por uns jogos de água onde foi encenada a peça de Molière Les Fâcheux no dia 17 de Agosto de 1661,  data da visita de Luís XIV ao Palácio. O banquete foi de tal forma opulento e extravagante que envergonhou o Rei. Quinze dias depois Nicolas Fouquet,  na altura superintendente do Rei,  foi preso em Nantes,  os seus bens apreendidos e, decorridos três anos,  condenado a prisão perpétua pelo crime de peculato.
Em Paris, antes de regressar ao Hotel,  jantámos num restaurante chinês perto da Gare du Nord.