quarta-feira, 3 de junho de 2015

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Quando acordei, o A. estava a estacionar. Não sabia onde me encontrava e da minha janela via apenas uma espécie de canavial. Saí do carro meio estremunhada, ficando apertadinha entre a porta e a vegetação.
Logo a seguir ouvi "vamos, está na hora da visita!"

"Hum?"

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Quase a correr estrada acima, vejo aparecer à direita um edifício monumental, de aspecto antigo. Atravessámos um relvado e dirigimo-nos rapidamente para uma porta de madeira, onde uma mulher nos vendeu uns bilhetes e trocou umas palavras com o A. sobre as horas da visita.
Visita?




Estávamos no Pazo de Oca e a visita guiada já tinha começado. Ao fundo de umas escadas de pedra, um grupo de pessoas rodeava a guia. Baixa, magra, cabelo curto e encaracolado, olhos pequeninos, roupa justa, botinhas de camurça, bonita e com alguns traços de duende. Porém, a sua voz era forte e viva e como falava sempre de uma forma muito enérgica, ajudou-me a acordar. Ao início parecia mesmo ter pouco mais do que 20 anos, mas depois percebi que era muito mais velha.
O Pazo de Oca é um paço senhorial que se encontra em Oca, La Estrada, Pontevedra. A sua origem remonta ao séc. XIII, ainda que os edifícios actuais sejam do séc. XVIII.

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Percorremos túneis e corredores românticos, jardins barrocos, zonas de vinha e até um labirinto que vai dar a uma zona de arbustos esculpidos em formas diversas, como uma tartaruga ou um cogumelo.



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A meio do percurso parámos junto a dois tanques de água que, por estarem unidos, pareciam um grande lago. Nele navegam duas barcas, sendo que uma representa o paraíso e a outra o inferno. Cada barca tem o seu barqueiro.

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No nosso grupo de visitantes não havia nenhum português. Talvez fossem todos galegos. Eram alegres e conversadores. Uma das mulheres, ao passar por uma das entradas do labirinto, disse para o filho "mete-te por aí!" 
Então o miúdo ficou por lá, enquanto ela continuou a visita connosco. 


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Não sabemos se ele teve ou não dificuldade em encontrar a saída. O que é certo é que passado algum tempo apareceu a correr, radiante e a pedir "mais uma veeez!!"

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Hotel Gastronómico Casa Rosália - http://www.hotelcasarosalia.com/
Foi aqui que passámos a noite: pequeno, acolhedor e sossegado.

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No restaurante servem gastronomia tradicional galega com um toque (plim!) novo. Como entrada pedimos as famosas vieiras.

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Depois, os pratos principais, dos quais não me lembro o nome.
Tudo acompanhado de Alvarinho, claro!



sobre o Pazo de Oca : 

http://es.fundacionmedinaceli.org/monumentos/oca/index.aspx



Filipa

quinta-feira, 28 de maio de 2015

percurso de interpretação da Praia Grande

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O percurso começa numa zona de campos agrícolas de sequeiro, onde abundam as alfarrobeiras, amendoeiras e figueiras.


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Moinhos e celeiros em ruínas são testemunhas de uma actividade agrícola intensa no passado.
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Atravessamos os campos agrícolas em direcção à sombra de um pinhal situado sobre uma arriba fóssil, onde encontramos espécies características do subcoberto deste habitat
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uma dessas espécies é a palmeira-anã.
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Mesmo ao lado, o sapal da ribeira de Alcantarilha é um refúgio para várias comunidades vegetais: juncal, halófilos (plantas que necessitam de um elevado grau de humidade e acidez para sobreviver) e prados salgados, dominados pela spartina-densiflora.


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Estas comunidades vegetais são frequentadas por aves limícolas, como o pernilonga e os patos.
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Mais à frente encontramos o cordão dunar, que se estende da foz da ribeira de Alcantarilha até à barra da Lagoa dos Salgados.
Trata-se de um habitat muito rico em plantas, cuja ocorrência varia conforme o grau de mobilidade das areias, salinidade, exposição aos ventos.

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o cravo das areias
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o estorno
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o malmequer das praias
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a joina dos matos
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o cardo rolador


Prosseguimos por um caminho que ladeia a norte a duna, até chegarmos ao passadiço que contorna a margem sul da Lagoa dos Salgados, por entre juncais e caniçais.

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Depois de uma breve paragem num miradouro onde observámos galeirões e patos, chegamos à foz da ribeira de Espiche.

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patos
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galeirão


A barra só abre em ocasiões de grande pluviosidade, infiltrando-se o leito da  ribeira nas areias da berma.

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Caminhámos pela praia em direcção ao sol poente, seguindo as passadas de um pilrito.


Após uma última travessia da duna, continuámos rumo a norte, pela margem da Lagoa dos Salgados, onde mais uma vez trocámos olhares com a avifauna local, desta vez, nos seus hábitos crepusculares.

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Descobrimos mais um ponto de observação, de onde distinguimos garças, pernilongas e um caimão.

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garça
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pernilonga


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caimão

Reparámos ainda que junto ao banco onde nos sentámos crescia uma das espécies referidas no guia : a eruca sativa.

Na fase final do percurso atravessámos tufos de melgas que despertaram em nós o apetite pelo jantar que saciámos na vizinha Armação de Pêra. :)


9/05/2015


ver também:

guia de campo

descrição do percurso

  albúm Praia Grande


sexta-feira, 15 de maio de 2015

PRC 19 SMI - Percurso Pedestre Ribeira Chã



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Ribeira Chã é uma freguesia cujo núcleo primitivo se situava no lugar do Pisão. Os habitantes dos arredores vinham até aqui para utilizar os vários moinhos da Ribeira das Barreiras, que nasce na Serra de Água de Pau. 
Com o tempo fixaram-se comerciantes e outras profissões ligadas ao transporte dos cereais e mais variadas matérias primas que eram transportadas do seu local de produção até aos moinhos, e, depois, para  o local onde seriam comercializadas ou transformadas.
Este núcleo primitivo situava-se à beirinha de uma falésia que entretanto erodiu, o que levou à destruição da primeira capela.
Sentindo o presságio do avanço do mar, a população mudou-se para a lomba vizinha, ganhando esta nova localidade o nome de Ribeira Chã.
É deste lugar que partimos, não sem antes visitar os vários núcleos museológicos que testemunham o engenho de gerações na procura de melhores condições de vida.

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Em primeiro lugar visitámos o Museu de Arte Sacra, com objectos religiosos vindos da antiga capela do lugar do Pisão, colecções etnográficas, e outras curiosidades.

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Depois uma casa rural e a seguir o quintal etnográfico, composto pelo museu agrícola, museu do vinho e uma plantação de espécies endémicas dos Açores.
Encetámos caminho por uma subida de aproximadamente 350m de desnível, ao longo da encosta sul da Serra de Água de Pau, ladeando a Ribeira das Barreiras.

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Como pano de fundo, esplêndidas vistas sobre a costa sul da ilha de S. Miguel, em especial sobre a freguesia de Água de Pau.

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Ilhéu de Vila Franca do Campo
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A meio caminho, duas travessias daquela ribeira possibilitam uma exploração da respectiva grota, onde permanece intacta a vegetação ripícola e arbustiva original, sobrevivente do arroteamento descontrolado ocorrido nos séculos XVII e XVIII.

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Uma dessas espécies é o azevinho -  ilex perado - uma subespécie endémica dos Açores.
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xaxim
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zimbro



Após roçarmos o limite da zona rural da freguesia de Ribeira Chã, iniciámos a descida de volta à vila.
Uma caminhada panorâmica, que permite ao mesmo tempo observar a realidade que as pessoas retiram da terra.


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