quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Londres despercebida, dia 2 - ecos do passado em Whitehall


o Big Ben mira-nos de soslaio de vários pontos da cidade de Westminster. A nossa máquina  fotográfica e telemóveis raramente lhe conseguiram resistir.

No segundo dia estava um clima tipicamente londrino, com nevoeiro, chuva e algum frio. Para nos ambientarmos escolhemos visitar alguns pontos de interesse "menos exigentes" (mas cheios de curiosidades) que nos permitissem caminhar pelas ruas.

Começámos pela Banqueting House.
A Banqueting House é o que resta do antigo Palácio de Whitehall, residência oficial dos reis até 1698, quando um enorme incêndio o devastou. Parece que este incêndio foi causado pelo descuido de uma empregada responsável pela lavagem e secagem da roupa. Após o incêndio, que durou dois dias, a Banqueting House foi a única sobrevivente.
Fizemos uma visita com um audioguia, que não se limitava a dar-nos informações sobre a história do edifício e do incêndio, mas pretendia transportar-nos para dentro do acontecimento. Começamos por ouvir a voz da tal empregada que narrava os acontecimentos na primeira pessoa. Depois , apontando um "dispositivo" em determinadas direcções, ou encostando-o a determinados objectos que se encontram na zona exterior do recinto, conseguimos ouvir excertos que recriavam a atmosfera vivida: conversas exaltadas, gritos de aflição, as chamas...



A visita terminou no Salão James I. Aqui realizavam-se os bailes de máscaras da corte, onde tinham lugar alguns acontecimentos bizarros. Depois do incêndio, este salão foi reconstruído como capela real e mais tarde foi parte integrante de um museu. Actualmente é uma sala de eventos e um importante ponto de interesse turístico, devido aos painéis do tecto pintados por Sir Peter Paul Rubens, no séc XVII. Estes painéis representam a união das coroas e a apoteose e reinado de James I.

Depois da visita fizemos uma paragem no Pret a Manger, para almoçar...

salada de arroz integral, "pastelinhos" de batata doce, húmus de beterraba, abacate, brócolos e romã

e continuámos o nosso percurso até à estação de metro de St. James's Park, onde parámos para ver as esculturas e relevos de Henry Moore, Eric Gill, Jacob Epstein, Samuel Rabinovitch e Allan G. Wyon, representando o dia, a noite e vários ventos personificados.
Esta estação abriu em 1868, quando foi inaugurado o troço de linha entre South Kesington e Westminster, mas só em 1929, aquando da reconstrução da estação, foram adicionadas as esculturas. 

Day, Jacob Epstein

Night, Jacob Epstein

West Wind, Samuel Rabinovitch


North Wind, Eric Gill



East Wind, Allan G. Wyon


South Wind, Eric Gill

West Wind, Henry Moore


interior do edifício da estação


Continuámos atravessando esta tarde húmida e cinzenta, colorida apenas pelas flores dos parapeitos da Queen Anne's Gate, uma rua em Westminster com casas do sec. XVIII. Nestas casas com fachadas em tijolo destacam-se alguns pormenores arquitectónicos, como escadarias na entrada, frontões,baldaquinos e águas furtadas, característicos do "Queen Anne style".  No centro da rua encontrámos uma estátua da Rainha Ana, que reinou entre 1702 e 1714. Foi durante o seu reinado que se uniram os reinos da Inglaterra e da Escócia, formando a Grã Bretanha.








Sem nenhum plano para o jantar, dirigimo-nos calmamente para o metro. Pensávamos regressar ao quarto e comer pelo caminho. Descobrimos que, na rua do nosso hotel havia uma grande variedade de restaurantes, com gastronomias de vários pontos do mundo. Escolhemos o japonês Wasabi, onde nos deliciámos com um suculento sushi.


Depois fomos para o hotel, onde nos enrolámos no edredon fofinho U_U

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Londres, dia 1

Aterrámos à noite. Estava frio e chuva. No comboio vários viajantes trocavam impressões sobre o local de onde vinham e os próximos destinos. Um regressava da Sicília, onde estavam 35 graus, o equivalente, para os londrinos, aos 22 que se registavam na altura. Uma outra viajante brasileira respondeu que 22 graus eram a temperatura mínima da sua terra natal.
O nosso destino, Londres, é um ponto de atracção de pessoas de diversas culturas e isso pode observar-se nos transportes públicos. Chegámos à estação de Vitória, já perto da meia noite, sem jantar. Descobrimos umas sandes deliciosas num quiosque. Apanhámos o metro para o hotel, ainda a chover, e percorremos a King Street em busca do número 160. Quando lá chegámos encontrámos uns escritórios em vez do hotel. Revolvemos os papéis em busca do print da reserva e apercebemo-nos de que o hotel ficava no número 120. Andámos mais um pouco e por fim lá descobrimos o outdoor do Holiday Inn. Estacámos junto à porta de vidro automática que não reagia. Após alguns segundos de hesitação, apareceu a recepcionista que abriu a porta e nos deu as boas vindas. Subimos até ao quarto andar e disposemos a bagagem em cima da nossa Queen Bed.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

percurso de bicicleta na Serra da Aboboreira



No início de Julho aproveitámos uma deslocação ao Norte do país para fazer mais um percurso de btt.
Desta vez percorremos a região envolvente da Serra da Aboboreira que se situa entre os vales dos Rios Tâmega e Douro e o esporão do Marão.  Ficámos alojados na Casa da Levada, em Travanca do Monte,  a aldeia mais povoada da Serra.



Esta era uma antiga casa nobre rural,  com dois espigueiros alongados e uma eira com uma fantástica vista para Noroeste.



No primeiro dia fizemos um curto mas exigente percurso com cerca de seis km entre a aldeia de Castelo e Travanca do Monte.  A primeira povoação tem ruas estreitas e calcetadas, algumas cobertas por latadas com uvas a despontar.




Cruzámo-nos com vários animais e habitantes,  entre os quais o capelão que nos deu a chave para visitar a capela junto ao miradouro. Vários foguetes ecoavam pelos vales verdejantes.  




Regressámos ao início da aldeia e comemos uma refeição ligeira que tínhamos trazido de casa.



Na primeira etapa encontrámos subidas muito acentuadas,  superando 200 m de desnível em apenas 2 kms.  Apesar da panorâmica,  sobre o vale do Tâmega,  o calor e o cansaço fizeram-se sentir.  





Por fim alcançámos a aldeia de Carvalho de Rei, onde recuperámos forças passeando pelo pequeno povoado. 


As ruas eram muito estreitas,  quase um carreteiro,  ladeadas por levadas que transportavam água para os campos no vale: milho, hortaliças, vides e também algumas flores.





Ainda nos cruzámos com alguns habitantes em conversa, mas o linguarejar era imperceptível. 


Igreja de Carvalho de Rei


De volta ao caminho,  bem mais ondulante,  pedalámos por campos agrícolas até à aldeia da Guarda e depois de cruzado um carvalhal chegámos à aldeia de Travanca. 



Fomos recebidos pelo Tinto e pelo Five, os cães dos nossos anfitriões. 

Tinto

Five

Ao jantar o Sr. Luís e a Sr. Maria contaram-nos muitas histórias sobre a Casa da Levada, os seus vários hóspedes e o poeta Teixeira de Pascoaes.  
No segundo dia tomámos o pequeno-almoço na sala do solar. 


Croissants, sumo de laranja, café com leite seguidos de uma explicação sobre a envolvente da quinta. 





Mas depressa sentimos um frenesim interior. 
O dia era longo e a Aboboreira chamava por nós. Impelidos pela brisa fresca montámos as bicicletas e arrepiámos caminho serra acima até à famosa Anta da Chã de Parada. 


Um dólmen com corredor bem preservado, visível do caminho.



Mais à frente, com as Meninas à vista (marco geodésico), uma outra anta, mais pequena, mas com uma vista de montanha surpreendente. 

paragem num parque de merendas a caminho da anta 


A serra ergue-se altaneira sobre os montes vizinhos, proporcionado uma vista de 360º sobre quase todo o Douro litoral. Sobranceira, uma capela a 960m de altitude  proporcionou mais um encontro. Conhecemos a D. Alice e o Patuco.






À nossa frente e decorridos cerca de 8 kms,  a primeira descida do percurso ziguezaguiando sobre a vertente que dá para Baião. Sentimos finalmente algum prazer em andar de bicicleta.


Lá em baixo,  desembocámos na aldeia abandonada de Currais,  onde parámos um pouco, contemplando a vegetação a consumir as vetustas paredes.



Prosseguimos, até à Tasquinha do Fumo, lugar mítico da Serra da Aboboreira,  mas que desconhecíamos. Tentámos almoçar lá, mas disseram-nos que era necessário reservar.  Não havia lugares, pelo que almoçámos o nosso lanche, um pouco mais à frente junto a uma represa.


O caminho tornou-se mais plano,  com uma série de subidas e descidas, até iniciarmos uma grande descida que desembocou na aldeia de S. Simão.  Foram cerca de 2 kms em que os travões guincharam e a panorâmica desfilou velozmente à nossa frente.




Lá em baixo,  junto ao lugar de Folhada, onde existe um turismo rural,  parámos para beber água numa fonte.



Ladeámos campos de milho e de vinha que intercalavam os vários "povos". Junto à capela de São Simão  umas inesperadas hortênsias coloriram o nosso caminho.  Não houve tempo para fotos,  pois, poucos metros mais à frente, iniciámos a subida da serra que tínhamos de transpor para regressar à aldeia de Castelo.


Foi uma subida difícil, com muito calor e uns ensolarados 300 m de desnível. Ziguezaguiando pela encosta,  cruzámo-nos com pequenos carvalhais,  testemunhos da antiga floresta laurissilva e uma manada de vacas que mugiam em nosso apoio.
Chegámos à Aldeia Velha,  sedentos e cheios de calor. Sentámo-nos perto de um tanque comunitário sem água potável.  Um habitante indicou-nos o local de uma fonte com água fresca,  em troca da ajuda para publicar umas fotos no Facebook.

Aldeia Velha

Aldeia Nova

Prosseguimos para a Aldeia Nova que era ainda mais pequena do que a Velha. 
Mais à frente fizemos um desvio pelo matagal até à aldeia de Pé Redondo, com uma veiga de produtos muito variados.





Muito próximo estava já Carvalho de Rei, onde fizemos uma paragem no parque de merendas sobranceiro à Capela.  Retemperadas as forças,  iniciámos a descida de 2 kms até à aldeia de Castelo,  com mais uma guincharia estridente dos travões.


A aldeia de Castelo lá repousava,  sossegada ao entardecer.  
Colocámos as bicicletas em cima do carro e rumámos a Travanca do Monte,  onde os nossos anfitriões nos esperavam com um jantar crepuscular à vista do Marão.