domingo, 8 de janeiro de 2017

Segundo Encontro com Lisboa: dia 6

Largo do Martim Moniz

Pelo sexto dia consecutivo, o sol brilhou desde manhã, neste que foi o último dia de 2016.
Iniciámos o nosso passeio na Rua da Alfândega, com uma visita à Igreja de Nª Srª da Conceição Velha.


Ficámos admirados com o pórtico manuelino à sua entrada, o qual foi reaproveitado de uma outra igreja - a da Misericórdia - que ficou destruída com o terramoto de 1755. O pórtico tem elementos botânicos e seres fantásticos esculpidos, como dragões, leões e outros animais exóticos.


Nesta igreja também vimos a exposição "Mater Dei", com obras de arte contemporânea dedicadas a Nossa Senhora. Esta exposição é de entrada livre e vai estar patente até 26 de Fevereiro de 2017.

Rui Matos

Depois demos um pulo ao Terreiro do Paço, onde passava a corrida de S. Silvestre, que este ano contou com nove mil participantes.


Rumo a Este, de novo pela Rua da Alfândega, encontrámos a Casa dos Bicos no entroncamento com a Rua dos Bacalhoeiros. Encontrava-se fechada, sem aviso. No entanto, pudemos admirar a sua fachada,  decorada com pirâmides esculpidas em calcário.


A planta original, iniciada em 1523, apenas corresponde ao r/c e primeiro andar, sendo os andares superiores fruto de uma restauração recente, que, embora respeite a traça anterior, utilizou materiais diferentes, o que dá uma perspectiva  ambígua ao edifício.
No entanto, para consolo visual, do lado direito, um edifício da época pombalina mantém a harmonia da cantaria e ferro forjado das varandas.


Sendo o último dia do ano, procurámos uma refeição diferente e rumámos à Mouraria em busca de um mítico prato típico da cidade: a sopa de fava rica. Contudo calcorreadas várias calçadas, becos e vielas paralelas ao eixo principal que perfaz a Rua dos Cavaleiros, não encontrámos nenhum estabelecimento onde pudéssemos provar tal prato. Depois de perguntar em vários restaurantes, descobrimos que ainda serviam este prato no nº 11 do Beco do Forno, onde se situa o restaurante homónimo que se encontrava encerrado para férias.
Acabámos por almoçar na Tasca do António.
bifes com batatas fritas e bacalhau, nabiças e batatas cozidas

À tarde fizemos uma caminhada pelo Largo do Martim Moniz, uma praça muito tranquila e agradável, onde se vive um ambiente multicultural.



Visitámos ainda a Capela de N.ª Srª da Saúde, um pequeno templo, objecto de grande devoção, desde o séc. XVI.


Do lado oposto, as recentes obras de restauro do Largo puseram a descoberto a Torre do Jogo da Péla, que se encontra bastante carcomida pelas casas que a ela estiveram adossadas ao longo dos séculos.


De lá descemos até ao Rossio e, passando pela Praça da Figueira, não resistimos ao cheiro das castanhas que crepitavam num fogareiro.


Pelas Escadinhas da Saúde, iniciámos o último troço do nosso percurso de hoje. É uma subida íngreme que dá acesso a uma zona que para nós era desconhecida. Após passarmos pelo que resta do antigo Palácio da Rosa, acedemos à Costa do Castelo, um "corta-fogo" que atravessa o labirinto da colina do Castelo.


Depois de apreciarmos as fantásticas vistas sobre a colina da Graça e Senhora do Monte, descemos de regresso a Alfama, na nossa terceira tentativa de visitar o interior da Igreja de S. Miguel. Desta vez, conseguimos e não ficámos desiludidos. As paredes irradiam uma luz dourada proveniente dos vários altares. O tecto em caixotões tem pinturas coloridas.


Já cansados, regressámos a casa sob as iluminações de Natal.

Chiado

Adormecemos muito antes da meia-noite, mas por volta dessa hora os fogos-de-artifício do Terreiro do Paço fizeram-se ouvir. Acordámos e, da janela, ainda conseguimos espreitá-los durante bastante tempo.



vídeo:

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Segundo Encontro com Lisboa: dia 5




No quinto dia o sol continuou a brilhar.  
Saímos em direcção à rua da Regueira,  e prosseguimos até à Igreja de S. Miguel,  concluída em 1775, com um interior barroco que merece visita.  



Porém,  não é fácil visitá-la porque o horário é muito incerto.  
Mais a sul,  na rua de S. Pedro, existem vários estabelecimentos tradicionais como a mercearia "Manuela do João"  e o café "Nova Alfama", onde a D. Rosa nos serviu o pequeno-almoço.  

torradas, queijo, chá

Mais à frente na "Tasquinha Ginja d'Alfama",  fizemos outra pausa para saborear esta tradicional bebida lisboeta. Apesar de ter um espaço reduzido,  a Ginja d'Alfama serve ginja às dezenas.





Continuando a caminhar por Alfama...




alcançámos o Largo de São Rafael, centro do antigo Bairro Judeu, onde se conserva a vetusta Torre de S. Pedro que se destacava da muralha visigótico-mourisca. 


Daqui, a Rua da Judiaria,  acompanha esta antiga muralha agora encimada por um recuperado Palácio Manuelino. 


Descendo umas escadas estreitas, desembocámos no Largo do Terreiro do Trigo, no qual se situa o antigo celeiro público,  mandado construir por D. José I.


Ao virar da esquina, encontra-se o Chafariz d'el Rei, a fonte mais antiga da cidade, sobre a qual podemos avistar uma Villa do séc XIX,  hoje um hotel. 


Seguindo na direcção do Terreiro do Paço,  cruzámo-nos com vários pavilhões alfandegários do séc XVIII,  testemunhos da importância do comércio marítimo naquela época. 



Entretanto decidimos ver a exposição Lisboa Story Conter e, afinal, os 7 euros valeram a pena. A exposição dá a conhecer a história de Lisboa, através de uma forma resumida, simples e atractiva, com um audioguia a acompanhar os diferentes painéis multimédia.


Quando saímos já era de noite, pelo que pudemos ver de perto a árvore de Natal do Terreiro do Paço iluminada.





vídeo:

domingo, 1 de janeiro de 2017

Segundo encontro com Lisboa: dia 4


vista sobre Alfama


Hoje começámos o dia com uma visita à Igreja de São Vicente de Fora. Esta  igreja foi construída no séc XVII,  durante o domínio filipino, sob desenho do arquitecto italiano Filippo Terzi. Possui características da arquitectura espanhola, que dificilmente encontramos noutros edifícios em Portugal,  como por exemplo o próprio estilo maneirista, uma rede em ferro forjado ricamente decorada e uma capela dedicada à Nossa Senhora do Pilar, padroeira de Saragoça.


O altar-mor é constituído por um baldaquino (uma estrutura que cobre o altar) da autoria do escultor conimbricense Machado de Castro, e, na parte de trás,  um órgão. 


As duas capelas do transepto são decoradas com mármores embutidos muito coloridos,  fazendo lembrar a Igreja do Menino Deus. 


Daqui iniciámos uma caminhada até às Portas do Sol, um largo junto ao primitivo lanço de muralha, de onde se tem uma fantástica vista sobre Alfama e o Rio. Seguimos a linha do eléctrico 28, por ruas sinuosas e estreitas de ambiente medieval.  




Aqui encontramos o Museu de Artes Decorativas, instalado no Palácio de Azurara.  



Almoçámos na cafetaria que tem um excelente buffet de comida caseira, por 10 Euros. Comemos creme de alho francês,  quiche de vegetais,  arroz,  salada e bolo.


O museu reúne raros exemplares de mobiliário, porcelanas, faianças e têxteis orientais,  procedentes de diversas colecções particulares que foram doadas à fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. 

Sala D. José

Sala D. Maria

Encontrámos vários objectos de que gostámos,  como por exemplo salvas de prata decoradas com animais exóticos, 


 um jarrão de Bordalo Pinheiro decorado com animais fantásticos,  


e um aquário em faiança do início do séc. XIX ,



Daqui seguimos para a Igreja de Sta. Luzia,  do outro lado da rua,  sede nacional da ordem soberana militar hospitalar de Malta. Foi mandada construir por D. Afonso Henriques em agradecimento pela ajuda prestada pelos cavaleiros templários, aquando da Reconquista Cristã. É uma igreja muito simples,  despojada. Aqui existem túmulos de cavaleiros medievais.



Na zona adjacente à Igreja encontra-se o miradouro de Sta. Luzia, com pérgolas, um jardim com buganvílias e dois painéis de azulejos representando, um deles, o Terreiro do Paço antes do Terramoto de 1755.


Uma escadaria no canto nordeste dá acesso, por entre buganvílias, a um terraço onde se situa o Quiosque Cerca Moura. Este local é  um bom ponto de descanso, no qual podemos tomar um chá com scones ou tarte de amêndoa, desfrutando ao mesmo tempo de uma magnífica vista sobre o Tejo. 


Daqui mergulhámos no bairro de Alfama utilizando o elevador público inaugurado em 2015. É um dos bairros mais típicos de Lisboa e ocupa a área territorial onde os primeiros povos da Idade do Ferro se fixaram.  A malha urbana ainda reflecte o traçado medieval com ruas estreitas, becos e escadarias.


Descendo pela Calçadinha da Figueira, Rua do Castelo Picão e Beco das Cruzes, ainda se pode sentir a atmosfera genuína de Alfama com moradores locais nas ruas e cafés. Contudo, a partir da Rua da Regueira e, em especial, na Rua de S. Miguel, os turistas misturam-se com os "alfacinhas" e as ruas ficam cheias de pessoas que saltitam entre lojas de produtos tradicionais e restaurantes com fado. 


No entroncamento daquelas duas ruas, encontra-se o Restaurante Alfama Grill, onde jantámos as típicas sardinhas assadas com batata cozida. 




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