domingo, 1 de janeiro de 2017

Segundo encontro com Lisboa: dia 4


vista sobre Alfama


Hoje começámos o dia com uma visita à Igreja de São Vicente de Fora. Esta  igreja foi construída no séc XVII,  durante o domínio filipino, sob desenho do arquitecto italiano Filippo Terzi. Possui características da arquitectura espanhola, que dificilmente encontramos noutros edifícios em Portugal,  como por exemplo o próprio estilo maneirista, uma rede em ferro forjado ricamente decorada e uma capela dedicada à Nossa Senhora do Pilar, padroeira de Saragoça.


O altar-mor é constituído por um baldaquino (uma estrutura que cobre o altar) da autoria do escultor conimbricense Machado de Castro, e, na parte de trás,  um órgão. 


As duas capelas do transepto são decoradas com mármores embutidos muito coloridos,  fazendo lembrar a Igreja do Menino Deus. 


Daqui iniciámos uma caminhada até às Portas do Sol, um largo junto ao primitivo lanço de muralha, de onde se tem uma fantástica vista sobre Alfama e o Rio. Seguimos a linha do eléctrico 28, por ruas sinuosas e estreitas de ambiente medieval.  




Aqui encontramos o Museu de Artes Decorativas, instalado no Palácio de Azurara.  



Almoçámos na cafetaria que tem um excelente buffet de comida caseira, por 10 Euros. Comemos creme de alho francês,  quiche de vegetais,  arroz,  salada e bolo.


O museu reúne raros exemplares de mobiliário, porcelanas, faianças e têxteis orientais,  procedentes de diversas colecções particulares que foram doadas à fundação Ricardo do Espírito Santo Silva. 

Sala D. José

Sala D. Maria

Encontrámos vários objectos de que gostámos,  como por exemplo salvas de prata decoradas com animais exóticos, 


 um jarrão de Bordalo Pinheiro decorado com animais fantásticos,  


e um aquário em faiança do início do séc. XIX ,



Daqui seguimos para a Igreja de Sta. Luzia,  do outro lado da rua,  sede nacional da ordem soberana militar hospitalar de Malta. Foi mandada construir por D. Afonso Henriques em agradecimento pela ajuda prestada pelos cavaleiros templários, aquando da Reconquista Cristã. É uma igreja muito simples,  despojada. Aqui existem túmulos de cavaleiros medievais.



Na zona adjacente à Igreja encontra-se o miradouro de Sta. Luzia, com pérgolas, um jardim com buganvílias e dois painéis de azulejos representando, um deles, o Terreiro do Paço antes do Terramoto de 1755.


Uma escadaria no canto nordeste dá acesso, por entre buganvílias, a um terraço onde se situa o Quiosque Cerca Moura. Este local é  um bom ponto de descanso, no qual podemos tomar um chá com scones ou tarte de amêndoa, desfrutando ao mesmo tempo de uma magnífica vista sobre o Tejo. 


Daqui mergulhámos no bairro de Alfama utilizando o elevador público inaugurado em 2015. É um dos bairros mais típicos de Lisboa e ocupa a área territorial onde os primeiros povos da Idade do Ferro se fixaram.  A malha urbana ainda reflecte o traçado medieval com ruas estreitas, becos e escadarias.


Descendo pela Calçadinha da Figueira, Rua do Castelo Picão e Beco das Cruzes, ainda se pode sentir a atmosfera genuína de Alfama com moradores locais nas ruas e cafés. Contudo, a partir da Rua da Regueira e, em especial, na Rua de S. Miguel, os turistas misturam-se com os "alfacinhas" e as ruas ficam cheias de pessoas que saltitam entre lojas de produtos tradicionais e restaurantes com fado. 


No entroncamento daquelas duas ruas, encontra-se o Restaurante Alfama Grill, onde jantámos as típicas sardinhas assadas com batata cozida. 




vídeo:
 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Segundo encontro com Lisboa : dia 3


Hoje acordámos com um gato malhado a espreitar através dos vidros. Aproximámo-nos, mas ele era fugidio. Mesmo assim, antes de subir para o telhado, parou uns segundos e conseguimos fotografá-lo.
Hoje foi mais um dia ensolarado.
Começámos por uma visita ao Museu do Teatro Romano, o único existente em Portugal. 



Uma visita muito interessante para quem gosta de arqueologia e de descobrir a arte da antiguidade clássica.
O museu é constituído por três níveis e corresponde a um terço do edifício original. Para além de uma pequena área constituída pela orquestra (plateia),  bancadas e palco (proscaenium), o museu exibe diversas peças encontradas nas escavações, como por exemplo um fragmento de baixo relevo da musa da tragédia Melpomene; 



um sileno em mármore que se situaria na parte superior do proscaenium; 


uma pequena estatueta de veado, em bronze, da segunda idade do ferro,  provavelmente um ex-voto, 


e uma malha de jogo em pedra do séc XIV.



No terraço existe uma casa de fresco - um pequeno pavilhão - normalmente construído em jardins, destinado ao repouso. 


Voltámos ao bairro de Stª Cruz do Castelo, onde as ruas estavam muito animadas, com um tocador de Hang e inúmeras lojas de produtos portugueses onde se ouvia fado.
Após percorrermos vários becos e vielas, descobrimos o Largo do Menino Deus, com a Igreja homónima, construída em 1711 e uma casa cuja traça remonta ao séc. XVI.



Esta igreja é um importante exemplar da arquitectura setecentista e de visita obrigatória. Para tal, há que tocar à campainha do Centro Social que fica à esquerda da entrada e contactar a Irmã Fátima. A Irmã acompanhou-nos até à Igreja e, amavelmente, contou-nos a sua história, chamou-nos a atenção para a nave octogonal, os maravilhosos mármores coloridos embutidos em todas as paredes e conduziu-nos até à sacristia, cuja cúpula ameaça ruir.








Cheios de fome, descemos pelo Largo Rodrigues de Freitas, onde encontrámos o Restaurante Prego. Hoje fizemos opções mais saudáveis: uma salada de frango, rúcula, cebola e abacaxi e um hambúrguer vegetariano, de grão, com azeitonas, acompanhado de uma salada de rúcula e tomate. Estava tudo óptimo :)



Depois, pela Rua de Sta Marinha, subimos a colina do Mosteiro de S. Vicente de Fora. 





Na recepção, encontrámos o guia Luís, que nos acompanhou numa visita pelo mosteiro. Explicou-nos que este cenóbio foi o primeiro a ser construído em Lisboa e teve origem num voto de D. Afonso Henriques ao mártir S. Vicente, pelo sucesso na conquista de Lisboa aos mouros. 


O mosteiro alberga inúmeros pontos de interesse, que fazem dele um ex-líbris da cidade de Lisboa, mas, ainda assim, é pouco procurado pelos turistas. 



Realçamos a cisterna que constitui o elemento construtivo mais antigo desde a reconquista; 


os panteões dos Reis da Dinastia de Bragança e dos Patriarcas de Lisboa; 



os painéis de azulejos da portaria que representam a Sé e o Castelo antes do terramoto de 1755;




 uma série de 38 painéis de azulejos ilustrando fábulas de La Fontaine; 




e a maravilhosa vista de 360º sobre Lisboa a partir do terraço.






De regresso a casa, fizemos uma caminhada pelo campo de Sta Clara, local onde se realiza às terças e sábados a Feira da Ladra. 
Ladeando o jardim homónimo existe um grande painel de azulejos contemporâneos, da autoria de André Saraiva, simbolizando o cosmopolitismo e abertura ao mundo da cidade de Lisboa.






vídeo: